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O lado bem humorado de um parto em Santa Maria

Quando estava grávida da B pesquisei e pesquisei sobre experiências e opiniões sobre o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, mas sem chegar a grandes resultados ou opiniões. Daí este post (sempre é mais uma versão a acrescentar às que já leram, mas é versão com sentido de humor).

Saliento que este parto tem 4 anos, o que significa que possa ter levado um upgrade em vários sectores.

Desde as urgências até à subida para a zona da maternidade não há muito a dizer. Fui atendida com profissionalismo nas urgências da maternidade, onde se confirmou que as águas tinham mesmo rebentado e lá subi para aquela zona estranha onde se faz dilatação. O Hospital é velho sim, as instalações estão com mau aspecto, mas a decoração é fabulosa nesta zona. Depois de levarmos com a epidural, temos direito a relaxar, olhando para um quadro dos anos 70 talvez, mas com aspecto de ser do século XIX, com uma praia  paradisíaca, praia essa que nos fará certamente (not) esquecer as dores e os incómodos. Mas queria salientar que no que toca à epidural o HSM é fabuloso, pois assim que subi levei logo a anestesia, nunca cheguei sequer a sentir uma verdadeira contração. Penso que o objetivo seja que as mamãs relaxem até à hora da expulsão. Mesmo que não seja esse o objectivo, adorei na mesma. Há aqueles mitos de outros hospitais que só dão epidural ao fim de x dedos de dilatação, etc. pois em Santa Maria não há teorias, dá-se logo a epidural e pronto.

Onde a grande aventura começa é na sala de partos. Aventura não, espetáculo, queria eu dizer. Um autêntico show, onde eu era a artista principal. Primeiro, fiquei ali de pernas abertas sozinha a fazer força quando viesse uma contração. O pessoal ia passando, ia olhando, um sorrizinho e tal. Eu até queria acenar e dizer “bom dia, começou agora o turno, o café está bom? bela visão que deve ter quando aí passa”… mas enfim. Ao fim de algum tempo, lá disse que sentia qualquer coisa a sair…e aí sim, o Hospital mobilizou-se! Veio a anestesista, a enfermeira 1, a enfermeira 2, a médica 1, o médico 2 e o estagiário. E a meio da coisa, ainda apareceu o médico 3 que veio para me salvar, mas que não salvou, saltou só para cima da minha barriga e ainda disse ” isto vai doer um bocadinho, mas tente não gritar”. Foco que o médico 3 devia ter 1.80m e uns 90kg à vontade. Contudo, a minha filha não quis nascer na mesma e levou com ventosa para ficar com a cabeça de melão mais fofa de sempre.

Depois da minha atuação, o meu público fartou-se e mudou de sala para ver outra artista a atuar. Mas garanto que foi um público muito simpático e paciente, não exigindo demasiado de mim, visto eu nem ter acabado o curso pré-parto.

Depois, a sala de recobro não é uma sala, é um corredor, mas também não estive lá muito tempo. Trouxeram-me qualquer coisa para comer ali mesmo, a bebé para mamar e pronto.

Mas é no quarto que começa a grande aventura do Hospital de Santa Maria. Bom, não em todos os quartos foi só mesmo no meu. O meu era o quarto de quatro camas, logo quatro mamãs, quatro bebés, logo uma autêntica loucura. Como tudo na vida, é preciso é sorte! Se tive sorte nas companheiras de quarto? Tento ver sempre tudo pelo lado positivo e divertido. (Não vou contar todos os pormenores desta aventura porque é demasiado bom e como tal guardo para mim, fica só uma contextualização) Duas delas eram adolescentes, o que levou a noites a fio à conversa, contar a vida e tal, mostrar fotos do facebook, piadas… dormir que era bom, nada! Risadas as noites inteiras, parecia que estávamos a acampar no auge dos 16 anos! Em momento algum, me chateei com isso, ao menos não foi entediante, até porque o HSP não tinha tv no quarto, logo não tínhamos nada com que nos entreter, além da conversa. ahh tinhamos os bebés, é verdade, tanta era a loucura que já nem me lembrava.

Não ter tv não foi mau de todo quando se tem companheiras de quarto que gostam de conversar, o que foi chato foi não ter refeição no quarto. Como devem calcular, naqueles dias após o parto, poucas devem ser aquelas mulheres que andam normalmente, sem parecerem patas e por isso teria sido bom um almocinho na cama. Mas se há algo hilariante de que me recordo é da marcha dos pinguins (mães) a percorrer o corredor até ao refeitório. Digno de um episódio de National Geographic – ” mamãs pinguins em busca do alimento”.

Como já disse, o importante é ver o lado positivo e divertido das coisas. O Hospital é velho, mas quantas de nós não dormiram já em hotéis maus, ou em sítios bem desagradáveis? Não há refeições nos quartos, mas lembrem-se que andar é dos melhores exercícios para a recuperação. O que interessa é a gestão e funcionários do Hotel! Aqui todos foram extremamente simpáticos para comigo, e olhem que fui muito chata para me ajudarem com a pega, porque a minha filha era prematura e não sabia mamar. Ou seja de 3 em 3h dling dling… eu a tocar a campainha.

Pensamento: são poucos dias, o verdadeiro Hotel é em nossa casa, junto dos nossos! Entendo que todas prefiram um local agradável e calmo para este momento tão importante que é o nascimento e o namoro que se inicia ali. Mas o Hospital de Santa Maria tem profissionais incríveis e de qualidade, a minha bebé esteve em excelentes mãos e eu também e isso para mim é o mais importante, o espaço envolvente é secundário, porque quando chegamos a casa já nem nos lembramos onde estivemos a passar aquelas mini-férias.

 

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