BB's · Revista a Bordo

Parto no estrangeiro: o resumo e o guia

“Não há filhos iguais”/ “não há duas gravidezes iguais”/ “não há partos iguais”… E onde fica o “não há duas sem três”? Lamento, mas a gíria popular nem sempre acerta.

Embora tenha tido duas gravidezes (praticamente) iguais – numa tive ciática, noutra azia são das poucas coisas que as diferem- sabia que o parto desta vez não seria igual. Tendo este segundo filho num país tudo fazia prever um parto diferente.

Na Alemanha valoriza-se o parto natural, sem epidural, dando a oportunidade de a grávida ter o parto de sonho. Sonho esse que para mim era somente dele ser vaginal, não cesariana. E, claro, com epidural, porque já que existe a hipótese de fazer algo sem dor, não há necessidade de a fazer com, a meu ver.

Mas, eu sabia que isso não seria assim. Sempre soube que só em caso de uma cesariana de última hora, ou algo corresse mal me davam a droga divina. E assim foi.

Cheguei à maternidade com 6 centimetros e aí começava a saga da dilatação, 3horas até aos 10centimentros, e mais duas horas a ver se expulsava, mas o Ben decidiu fazer desvio na saída e terminou (finalmente, embora tardia porque na fase de expulsão não tive dor só vontade de fazer força) com epidural e ventosa.

Apesar de tudo, nada tenho a dizer de mal do método alemão. Mesmo sem epidural na fase que mais precisei, tive direito a um paracetamol, que se acreditarmos muito até sentimos alívio (not), e a um calmante, para eu relaxar entre as contrações e do qual tenho a dizer maravilhas, foi mesmo bom poder descansar entre elas. Também adorei a paciência e calma de todos. No Hospital de Santa Maria ninguém tinha que lidar com mulheres aos gritos e desesperadas e daí eu dar imenso valor aos profissionais alemães: muito simpáticos e compreensivos num momento tão delicado. Fabuloso!

Os meus conselhos:

  • Visitar a maternidade com antecedência. Se me tivessem dito que havia toda uma filosofia à volta da epidural, talvez me tivesse preparado mais psicologicamente. Acho lindo parto natural e agora que reflito digo que “não é nada que não se aguente”, contudo é normal ter medo do parto e sentir-me-ia mais segura se me tivessem dito “não se preocupe, assim que pedir nós damos”.
  • Aprender na língua as frases chave – “vou morrer”/ “eu não consigo” /”quero epidural”/ “quero uma cesariana”/”quero anestesia geral”/ “não aguento mais”. Embora eles estejam “batidos” nisto, pode-se sempre apanhar um estagiário que nos ajuda. Não foi o meu caso.
  • Saber todos os pormenores, para não sermos apanhadas desprevenidas. Quantos dias se fica internada, lista de maternidade, se a seguir ao parto dão logo o bebé à mãe, como funciona a maternidade, onde posso deixar o bebé enquanto tomo banho, ou vou jantar…

Dou importância ao parto, mas o meu foco é sempre na vontade de ter o bebé cá fora e apertar e beijar até ao infinito. A maneira como nascemos é de facto importante, os nossos filhos são únicos e queremos que venham ao mundo da melhor forma. A melhor forma para eles será também a melhor para nós, tanto faz ser cesariana, como parto com dor, sem dor, ventosa ou fórceps, na banheira ou colada a uma bola, se a mãe está segura no parto, o bebé nasce feliz (embora chore).

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s