Revista a Bordo

Breve interiorização sobre a Epidural

Antes de mais, informo que não tenho nada contra a epidural, antes pelo contrário, tal já mencionei aqui.  Contudo, a experiência do meu último parto, que já relatei aqui no blog, fez-me refletir um pouco sobre esta amiga fabulosa.

Comecemos, então, por lembrar que é uma amiga recente. As nossas mães, avós, nem ninguém dessa geração e anteriores soube o que era tal coisa. No entanto, toda a gente paria e continuava a procriar, mesmo sabendo que na hora H não haveria cá paninhos quentes para aliviar. (Este foi um dos pensamentos que tive no final de ambas as gravidezes: se toda a gente conseguia eu também consigo!)

Claro que esta amiga vem na sequência da evolução dos tempos, da medicina, bla bla… temos que estar felizes por todas as coisas boas que a ciência nos traz. Mas será a epidural algo fabuloso?

Pus-me a pensar ( tenho tido uns minutinhos livres) e talvez a epidural não seja assim tão nossa amiga. Não falo de casos onde a epidural é realmente necessária, até porque não sou médica, somente de casos onde a função é unicamente a de aliviar a dor.

Então, vejamos: o parto é algo natural, todas as mulheres (em situações normais) conseguem parir. Mais demorado, ou mais rápido, com mais dor, ou menos, a verdade é que o parto é algo natural e nós, mulheres, sabemos fazê-lo como ninguém, Não tenho qualquer dúvida disso, porque na minha “hora pequenina” soube exatamente o que fazer, mesmo sem qualquer preparação. O nosso corpo fala conosco para dizer que chegou a hora do bebé nascer, a hora de fazer força, a hora de relaxar, a hora de gritar, tal como  também nos diz quando é hora do chichi, do sono…

O que quero dizer é simples, a epidural acaba com o ato primário de dar à luz. Porque não tira só a dor das contrações, tira a capacidade de sozinhas termos um filho, algo que é mais natural que a água. Se só conseguimos trazer um bebé ao mundo com ajuda de uma anestesia, que fim terá o parto? Deixará de ser um parto e passará a ser um acto médico, como outro qualquer. As mulheres, com o desenrolar dos séculos, vão deixar de conseguir dar à luz, será? Também, antes ouviamos cassetes, depois CDs, depois aparelhagens com bluetooth, depois com wifi, agora nem precisamos mais carregar no botão para por música, basta dizer à Alexa para colocar a nossa playlist favorita a tocar e pronto, já ninguém se lembra do trabalho que dava trocar a cassete de lado. E, talvez, o parto acabe assim, tão fácil, tão fácil que nem nos lembramos de como foi, ou do estalar dos ossos. Porque tudo o que é facilitado acaba por ser esquecido rapidamente.

Adorei ter tido um parto com epidural, mas gostei também do parto sem que tive. O com epidural foi… foi o que foi, de onde só me recordo do fim do filme. O parto sem epidural digamos que foi a experiência de uma vida, um filme do qual me recordo do princípio ao fim, sem nunca me ter deixado dormir. O sentimento foi de, sem ter treinado, ter ganho a maratona. Imagem só, uma pessoa que nunca correu, de repente, ganha a prova da vida, como se tivesse nascido para aquilo, como se fosse feito daquilo. Basicamente é a força do parto natural.

Continuo a favor da epidural, mas agora acho que o Parto  devia voltar um pouco às suas origens. Tipo dieta paleo do parto. Também estavamos destinados a deixar de cozinhar, porque vinha tudo já feito e agora? Agora é tudo alimentação saudável, cozinhados caseiros, sem químicos, etc… Talvez, o parto precise disso também, onde só segue a dieta quem quer!

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